Na paisagem da janela aberta batia ali o sol de ontem,cansado espectador que ansiava o sol de anteontem, desenvolvedor de laços.
Prendeu em nó cego, não compreendendo a distância que percorrera, destruidor de rotas, aspirante a cartomante.
Apostava no futuro, na procura da adivinhação. Vivia para que estivesse errado, para alegria, mas estava certo, e era recompensado com tristeza. Repetia verdades, mas ansiava mentiras.
Demorava horas, vendo o vai e vem das ondas, à procura de um movimento compartilhado, mas vivia estagnado, igual à areia.
violino sem cordas, gaita sem buracos, cantor sem voz, bateria sem tripés.
Adjetivos, apenas isso, na procura de sujeitos, nunca pensou no predicado, e matou o seu verbo, vivendo apenas de advérbios de negação,e nquanto vivia de substantivos comuns, encontrava, nos seus objetivos indiretos, uma face de conectivos falsos.