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Contos de Conchas

Dansb

Ponto de vista

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Tá eu entendi
todo ponto de vista é visto de um ponto
eu posso não está errado
mas só porque essa concepção pode existir
não quer dizer que você esteve certo.

Entre reguas e compassos
eu dou voltas em linhas retas
para o inicio da margem do aceitavel
pelo menos o aceitavel para mim.

Mas você preferiu andar com trenas
enquanto eu media meus achismos em cm
você queria medir suas certezas em metros
ate um dia que tive que partir quando você começou a usar km.

Como eu disse todo ponto de vista é visto por um ponto
porem interpretado na forma do objetivo final
como eu posso ter sua visão, se nem seu ponto você fala
você me compreende, sempre que eu estou errado
e muda novamente meu ponto sempre que estou certo.

Eu não sei o quão errado estou de falar que estou certo
mas sei que não é errado pensar que nos meus erros
tem um pouco de acertos, de pelo menos medir linhas pontilhadas
e tentar chegar a proximo do seu ponto de vista.

Vivo ou morto

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Inocência de um pecador vista além dos olhos de um santo, parece um prato de comida para um ser saciado.

Saciado de escolhas puramente feitas ao longo de uma trilha larga com buracos estreitos.Uma vida sem visão de momentos,

mas de um baú enorme de desejos,escolhidos ou não,julgados ou selecionados como algo proibido ou pecaminoso.

Um grande pequeno pecador que destrói a vida dos santos mediante o próprio criador, do que um dia foi chamado de terrível.

Santos fiéis em dias melhores, numa espera incessante por um sonho — um miserável sonho que, no todo, é seu maior pesadelo.

Vive mentindo que odeia a própria vida,mas não conseguiria passar um dia longe daquilo que expõe a todos como a pior coisa que existiu.

Existiu de forma sem molde; talvez um dia houve quem se dissesse dono disso, mas, atualmente, é de todos.

Todos nós? Ou todos que desejam ser um todo?

É melhor ser diferente dos mesmos ou igual ao equivalente da sua diferença?

Ou entender que, mesmo igual ou diferente, você é parte desse todo.

Mediante as circunstâncias de um dia frio de verão,

a paz ilusória de um pecador parece mais comemorada do que o futuro certo de um santo.

Santo ou pecador, todos são do mesmo meio; todos lutam pela aceitação de alguém ou de algo.

Às vezes, esse algo ou alguém é criado pelo próprio, ou morto por ele mesmo.

Vivo ou morto,

existe agora.

Eu salguei meu café

Banner do poema Eu salguei meu café

Acordar é um privilégio

para aqueles que aspiram um futuro

que rejeitam a ideia de mudança do passado

Viver é uma ideia quase utópica

como acordar, mas mesmo assim estou tão acordado e vivo

tão utópica quanto colocar sal no café

Coloquei sal no meu café

E tudo bem, só fiz isso nessa manhã utópica,

a janela de um sol recém-acordado

iluminam a vasilha de sal aberta

E um café salgado

Mas como eu disse, tudo bem

Só salguei meu café

Mesmo eu não gostando do gosto

Não deixa de ser um café

E estou bebendo

Mesmo após beber café salgado

pelo sexto dia seguido

Acho que não tem problema

Afinal só salguei o café

Sinto que deveria por açúcar

Ou até beber o café puro

Mas já que salguei o café

Não devo desperdiçar nessa outra manhã utópica

Afinal estou vivo

Diante disso estou acordado

Então não tem problemas

de estar com um café com sal

Mesmo eu não gostando

Vivo bebendo café salgado

Casa Caída

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Acho que sonhamos em viver, mas já estamos vivendo e, nesse processo, pensamos nos nossos sonhos e deixamos de viver.

E, nesse processo, vamos entregando nossas vidas e sonhos para outros, e ficamos apenas com a casca do que um dia fomos. De tentativa em tentativa, vamos nos modificando — mas como se fosse uma obrigação.

Mudamos a fachada da casa sem nos preocupar com as paredes internas. Vamos colocando mais e mais adornos sem pensar se as colunas estruturais vão suportar.

E chega um momento em que a estrutura cai, e temos que viver com esse terreno sujo de pedaços do que um dia foi nossa casa. Não temos vizinhos nesse momento. Nos mudamos para muito longe deles para ter essa casa especial, e agora temos que limpar, pouco a pouco, sozinhos, enquanto o frio da noite ou o calor escaldante nos faz pensar.

E, quando finalmente o terreno é limpo dos restos da última casa, chega o momento de reconstruí-la.

Mas agora temos medo de fazer uma casa grande e linda como a antiga, com receio de que a estrutura caia novamente.

Então construímos uma casa simples, apenas para viver.

Só que, a todo momento em que estivermos nessa casa menor, vamos nos pegar pensando na outra — grande e linda, cheia de espaço.

Será que teremos capacidade de viver em uma casa pequena depois de termos experimentado uma grande?

E, assim, aceitamos a casa pequena, mesmo que sonhemos em viver, mesmo que já estejamos vivendo.

Até podemos ter condições de reformá-la e aumentá-la, mas o medo nos faz questionar se valeria a pena ter uma casa grande de novo.

O Besouro e o Pássaro

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O Besouro acordava todos os dias cedo buscava em toda trilha do jardim pedaços de galhos, muito maiores que ele.

Eram um esforço que para ele. Valia a pena quando chegava à tarde, o grande Pássaro pousava próximo de sua pilha de galhos, e levava para seu ninho.

Mesmo recebendo somente um olhar, já sentia a maior admiração ao outro ser.

O Pássaro vinha diariamente coletava cada galho e o Besouro observava e observava cada galho que o Pássaro pegava. Se alegrava, e se esforçava diariamente para trazer mais galhos e ver o grande Pássaro.

Só que, o Pássaro que nunca havia visto o Besouro. No dia que os olhares foram recíprocos. No outro dia não houve mais pilha de galhos.

Mas o ninho estava pronto.

Promessas

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Injustos são aqueles que desconhecendo passados, julgam futuros de seres sem presentes. Ansiosos de dias melhores, mas sem promessas que construirão. Uma vivência de ilusões, a procura de viver sendo injustos com os justos.

Conectivos falsos

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Na paisagem da janela aberta batia ali o sol de ontem,cansado espectador que ansiava o sol de anteontem, desenvolvedor de laços.

Prendeu em nó cego, não compreendendo a distância que percorrera, destruidor de rotas, aspirante a cartomante.

Apostava no futuro, na procura da adivinhação. Vivia para que estivesse errado, para alegria, mas estava certo, e era recompensado com tristeza. Repetia verdades, mas ansiava mentiras.

Demorava horas, vendo o vai e vem das ondas, à procura de um movimento compartilhado, mas vivia estagnado, igual à areia.

violino sem cordas, gaita sem buracos, cantor sem voz, bateria sem tripés.

Adjetivos, apenas isso, na procura de sujeitos, nunca pensou no predicado, e matou o seu verbo, vivendo apenas de advérbios de negação,e nquanto vivia de substantivos comuns, encontrava, nos seus objetivos indiretos, uma face de conectivos falsos.